Sábado, 17 de outubro de 2026

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Morre Rick, da dupla Rick & Renner, em queda de helicóptero na serra catarinense

Corpos foram levados ao IML de Florianópolis e o Cenipa investiga as causas. O velório acontece nesta quinta, em Sorocaba, e o enterro na sexta. Rick tinha 59 anos e estava em turnê pelos 40 anos de carreira da dupla.

Por Redação 8 min de leitura

O cantor Rick, da dupla Rick & Renner
Rick, da dupla Rick & Renner, morreu aos 59 anos. Foto: Reprodução/Instagram.

O cantor sertanejo Geraldo Antônio de Carvalho, conhecido como Rick, da dupla Rick & Renner, morreu aos 59 anos na queda de um helicóptero na serra catarinense. A aeronave havia desaparecido na tarde de segunda-feira, dia 21, e foi localizada por volta do meio-dia desta terça, dia 22, na região de Urubici. Nenhum dos cinco ocupantes sobreviveu, informou o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

Morreram com ele o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares e os dois pilotos, Antônio Roberto e Leopoldo Barros Teixeira.

Velório em Sorocaba, aberto ao público

Os corpos das cinco vítimas foram levados ao Instituto Médico Legal de Florianópolis na terça-feira, onde a Polícia Científica de Santa Catarina fez a identificação. Concluído esse trabalho, cada corpo seguiu para o velório e o sepultamento definidos pelas respectivas famílias.

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O corpo de Rick foi levado para Sorocaba, no interior de São Paulo, cidade a que o cantor era ligado. O velório está marcado para esta quinta-feira, dia 24, e é aberto ao público. O enterro acontece na sexta-feira, dia 25. Até a atualização desta matéria, a família ainda não havia divulgado o local exato nem os horários das duas cerimônias.

O que o Cenipa vai investigar, e o que não vai

A Força Aérea Brasileira abriu os procedimentos formais de apuração. Foram acionados investigadores do Cenipa, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, com sede em Brasília, e do SERIPA V, o serviço regional sediado em Canoas, no Rio Grande do Sul, para a chamada Ação Inicial: o trabalho de campo que recolhe os vestígios antes que eles se percam.

Vale registrar o alcance desse trabalho, porque costuma gerar confusão. A investigação do Cenipa existe para impedir que acidentes parecidos voltem a acontecer, e não para apontar culpados. A apuração de responsabilidades corre por fora, na polícia e na Justiça. Relatórios do Cenipa costumam levar meses.

O voo e as buscas

O helicóptero era um Bell 430 de prefixo PP-MGR. Decolou de Porto Belo, no litoral norte catarinense, com destino a São Joaquim, na serra. O trecho final do trajeto foi percorrido em condições meteorológicas ruins: a região registrava tempestade, visibilidade baixa e rajadas de vento. O contato com os radares se perdeu ainda na segunda-feira.

As buscas começaram na tarde do mesmo dia e atravessaram a noite, sob chuva. Foram mobilizados cerca de 40 bombeiros, dois cães de faro, mais de dez viaturas e drones com câmera térmica. Os destroços apareceram menos de 24 horas depois do desaparecimento, em área de mata na serra catarinense.

Dos bares de Brasília a dez milhões de discos

Rick nasceu em Porto Nacional, no Tocantins, em 1966. Aos seis anos mudou-se com a família para Brasília, onde começou a cantar ao lado de uma das irmãs. A música veio do pai, que cantava e compunha para Folia de Reis. A infância e a adolescência foram passadas em bares e casas noturnas da capital federal.

Passou por vários parceiros antes de encontrar Ivair dos Reis Gonçalves, o Renner, em meados dos anos 1980. A dupla levou quase uma década para entrar no mercado fonográfico: gravou um trabalho independente e só lançou o primeiro álbum por uma gravadora em 1992, quando o sertanejo já vivia a transformação que tirou o gênero da música caipira e o pôs nas rádios, na televisão e nas prateleiras, puxado por Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano e João Paulo & Daniel.

Rick & Renner chegaram depois desses nomes e nunca alcançaram o mesmo patamar comercial, mas construíram uma carreira de alcance raro, com mais de dez milhões de discos vendidos.

A virada de 1998

O momento decisivo veio em 1998, com "Ela É Demais", conhecida pelo refrão "uma deusa, uma louca, uma feiticeira". A música transformou a dupla num nome nacional. Foi também quando os dois passaram a procurar um jeito de não serem mais uma entre tantas duplas de balada romântica num mercado cada vez mais cheio.

No álbum "Instante Mágico", de 1999, "Ela É Demais" dividia espaço com faixas que levavam o romance para outro lugar. "Cara-de-Pau" tratava a briga e a reconciliação do casal com humor. "Muleca" abandonava a balada e apostava na dança. "Na Pontinha do Pé", gravada com o grupo de pagode Molejo, era uma aproximação incomum para a época, quando sertanejo e pagode eram fenômenos de polos opostos.

Havia cálculo nisso. Em entrevista ao Jornal da Cultura em 2001, Renner disse que gravar "Muleca" e "Cara-de-Pau" tinha sido uma "audácia", de quem estava "fugindo dos padrões". As baladas vinham perdendo fôlego comercial: Leandro & Leonardo haviam vendido 2,85 milhões de discos em 1990 e chegaram a 750 mil em 1996. A mistura do sertanejo com ritmos dançantes virou a identidade de Rick & Renner, e combinava com a formação dos dois, já que Rick vinha da tradição sertaneja e Renner carregava as referências do rock de Brasília.

Compositor de quem estava no topo

Além de cantar, Rick compunha e produzia. Escreveu para João Paulo & Daniel, Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano e Bruno & Marrone, transitando entre os grandes nomes do sertanejo romântico dos anos 1990 e artistas de gerações anteriores. Foi o caso de Gino & Geno, dupla dos anos 1960 que passou por uma renovação com a participação dele: Rick produziu trabalhos e assinou sucessos como "Bebo Pa Carai", de 2005.

Essa posição de compositor explica por que ele sustentou uma carreira solo quando a dupla se separou. Rick e Renner interromperam a parceria em 2010, e ele passou a se apresentar como Rick Sollo. Voltaram em 2012, romperam de novo em 2015 e se reuniram outra vez em 2018. Rick morava nos Estados Unidos e fazia shows sozinho e com o parceiro.

A dupla celebrava 40 anos de estrada. A turnê tinha datas marcadas até dezembro, entre elas um show em Belo Horizonte, no Expominas, no dia 7 de novembro.

O gênero que Rick ajudou a moldar tem palco fixo na serra

Na Região Serrana e no Centro-Norte Fluminense, o sertanejo que Rick ajudou a transformar tem endereço certo todo ano. A Expo Cordeiro, a mais antiga exposição agropecuária do país e Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, reserva boa parte da programação musical ao gênero. Só na edição deste ano, a 82ª, passaram pelo Parque de Exposições Raul Veiga nomes como Clayton & Romário, Felipe & Rodrigo, Ícaro & Gilmar, Humberto & Ronaldo e Yasmin Santos.

É o repertório da geração que veio depois de Rick & Renner e que cresceu ouvindo "Ela É Demais" e "Nos Bares da Cidade". Em Nova Friburgo, em Cordeiro e nas cidades vizinhas, essas músicas atravessaram festa de peão, baile de clube, rádio de carro e aparelho de som de bar por quase trinta anos. A morte de Rick alcança esse público de um jeito que não depende de ele ter subido num palco daqui.

O Serra em Foco procurou registro de apresentação da dupla na Expo Cordeiro ou em Nova Friburgo e não localizou. Quem guardar foto, cartaz, ingresso ou lembrança de um show de Rick & Renner na região pode escrever para a redação: a memória dos palcos da serra se faz com esse tipo de contribuição, e ela entra nesta matéria com o crédito de quem mandar.

Atualizada em 23 de setembro de 2026, às 08h19: velório e enterro em Sorocaba, envio dos corpos ao IML de Florianópolis e abertura da investigação do Cenipa. Nesta atualização também foram corrigidos os nomes dos pilotos, divulgados apenas pelos primeiros nomes na primeira versão desta reportagem: Antônio Roberto e Leopoldo Barros Teixeira.

Com informações do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, da Polícia Científica de Santa Catarina, do Cenipa e da Força Aérea Brasileira, apuradas em BBC News Brasil, SBT News, Terra, O Tempo, Jovem Pan, ND Mais, Metrópoles, Correio Braziliense e Cruzeiro FM.

#Expo Cordeiro #Luto #Rick & Renner #Sertanejo

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Redação

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A Redação do Serra em Foco assina o que é da casa: o editorial, a nota de serviço e o que não sai da apuração de um repórter só.

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